O Sustentáculo do Amor

por José Luís Nunes Martins 

A paz é algo que nenhum homem pode dar a outro. Um dos fins mais importantes para quem arrisca ser quem é será o de construir a sua própria paz. Esta resulta de um trabalho duro de equilíbrio das vontades, de uma harmonização árdua das diferentes dimensões interiores, como o pensar e o sentir; é um estado ágil e dinâmico que, ao limite, permite ultrapassar e vencer qualquer adversidade.

A paz não é o estado de quem vive uma ausência de conflitos, é o resultado da conciliação corajosa das diferentes forças que, dentro e fora de cada homem, tentam prevalecer sobre as demais, menosprezando-se mutuamente.

Muitos são os que julgam ter encontrado a paz quando se livram do sonho do amor. Estão enganados, o caminho até à felicidade é ainda longo para quem cansado assim se contenta, repousando de uma luta que nem chegou a começar.

A paz é um ponto de passagem de quem ruma à plenitude da vida. A paz é o ponto de partida para o amor, que por sua vez lança o homem para a felicidade. A paz é o ponto de chegada dos que sofrem as dores mais profundas.

A verdade é tranquila. A árvore cresce sossegada, ao ritmo da sua paz, dependendo muito pouco do que acontece à sua volta.

Sem paz pode haver paixão, mas não há amor. O amor brota e alimenta-se do solo consistente e rico onde vive a paz, acima do mundo à sua volta, sem se incomodar com o julgamento de ninguém, mesmo daqueles que ali veem apenas um sossego de morte.

Silêncio. Assim é a verdade de quem consegue ser quem é. Em paz, assim ama quem vive de forma autêntica.

 

 

(ilustração de Carlos Ribeiro)

Quer receber um texto de José Luís Nunes Martins todas as semanas? Subscreva a nossa newsletter, aqui

Ver todas as novidades