Fazer o Caminho de Santiago em casal: oferecendo o esforço por quem procura a sua cara metade!

Precisamente há dois anos atrás (Páscoa 2017), fizemos 120 km, começando em Valença, com dormidas em Porriño, Arcade, Caldas de Reis, Padrón e Santiago. Foi uma experiência fantástica. Nós somos caminhantes por excelência. Viajamos muito e esta seria mais uma, mas foi diferente: a pé e com fins para além dos turísticos, também espirituais. Desde logo, a preparação é essencial e a Marta foi logo pesquisar vários blogues com dicas e itinerários sobre a viagem. Assim, levámos uma mochila pequena e calçado apropriado, além de uma sugestão de roteiro que pouco alterámos.

É um percurso exigente, mas faz-se muito bem. A ideia era fazer 20km por dia, espalhado em 6 dias, sendo o objetivo final assistir à Missa de Páscoa em Santiago. Missão cumprida! A única alteração que tivemos de fazer ao trajeto previsto foram 34 km na quinta-feira, dia 13/4, pois, de outra forma, seria muito difícil chegar às 12h à cerimónia de domingo, como previsto. Depois, levámos umas pistas de oração e livros. O terço (mais do que um) também foi diário e muito inspirador! Lembrámo-nos de todos os que procuram cara metade, as intenções do Papa e Igreja, das nossas famílias e amigos e, claro, rezámos pela Paz, tão necessária nos dias de hoje! A cerimónia da Paixão do Senhor, em Padrón, foi especial pois teve uma encenação final com um discurso do Senhor Pe. muito interessante! As procissões da Semana Santa também foram muito boas, acorrendo muitas famílias, quando foi o caso de Padrón, e no caso de Santiago, também estavam muitos turistas, além de peregrinos.

O que tiramos desta viagem? Algumas reflexões, entre elas, esta: o caminho é como o da vida. Custoso, mas se gostarmos e arriscarmos, é muito bom e tem "paragens" verdadeiramente gratificantes. As refeições são momentos especiais, nem que seja uma simples sandes de queijo. Os banhos quentes ganham um significado diferente, o café sabe de outra maneira. Também tem perigos e tentações pois as dificuldades perguntam-nos se queremos ser fortes e humanos ou animais e ceder a elas e gritar e protestar. Aprendemos com a pessoa que está connosco, encontramos outras com as mesmas inquietações, a procurar algo, cheiramos a natureza, vemos casas e campos e pessoas e culturas diferentes. Numa viagem, vê-se em ponto pequeno o que é a vida. Se a amamos, tudo suportamos e os momentos de descanso e vitória valem ouro. Até os momentos difíceis, se partilhados e com um objetivo, têm outro sabor e a "carga é mais leve".

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