Os Solteiros e a Semana Santa

por António Pimenta de Brito

Todo o calendário litúrgico gira à volta desta Semana que vamos viver agora. Sem a morte de Jesus, não seríamos salvos do pecado original dos nossos primeiros pais, não seríamos chamados filhos “mas servos” (Jo, 15:15) e não herdaríamos a vida eterna. Sem a Ressurreição, “Vã seria a nossa fé”, (1, Cor. 15:14), pois Jesus morreu e ofereceu-se por nós mas venceu a Morte e o Mundo. A nossa Fé gira à volta desta história de amor de Deus pelos homens.

Os solteiros são grandes alvos desta misericórdia. Estão a viver um tempo privilegiado de descoberta, caminho, crescimento e surpresa. Se é um caminho de espera, é-o também o caminho do casado ou o do consagrado. Em qualquer estado é-nos oferecido o presente para viver ao máximo. Por vezes, é certo que esta espera é uma cruz que temos de levar. Nem sempre é fácil querer casar e não ver sinais de como encontrar a pessoa. E os dias passam. E as vozes superficiais do mundo a dizer que tens de ter alguém, ter marido, ter filhos, ter isto e aquilo. E esquece-se que, como dizia Viktor Frankl, “a vida não é feita para obter mas para edificar”, construir. Construir o que Deus quiser, não os estereótipos do mundo ou os nossos. Mandela na prisão foi um frustrado? Teresa do Menino Jesus na cela do seu convento foi uma “looser”? Ela dizia que nas quatro paredes da sua cela teve uma vida enorme. Mandela mudou o mundo. Isto não implica que estejamos fadados a esperar e sofrer ininterruptamente apenas com um consolo eterno. Não devemos desistir dos nossos sonhos, pois Deus quer cumpri-los! Essa é a grande novidade da Ressurreição.

A imagem de um Deus que nos dá a cruz para levarmos e que apenas nos garante felicidade no Céu, é um Deus desfigurado pela falta de fé. E da crença apenas nas nossas forças.

A vida não é para sofrer, como alguns cristãos podem fazer crer. O sofrimento é mau e Deus não o quer. A vida é para “viver em abundância” (Jo., 10, 10), como nos prometeu Jesus. É para agradecer e procurar o bom, aceitar o menos bom e tudo aproveitar para bem do Senhor, nosso e das almas. Dizer que a vida é apenas para esperar a morte e que o prazer é mau, é uma heresia. O Senhor Jesus prometeu o “cêntuplo” aqui já e na vida eterna a quem levasse a sua cruz e renunciasse a si mesmo. “Podeis vós fazer jejuar os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles?” (Lc, 5:34). E assim, se confiarmos, esta Cruz  “é Ele quem a leva”, como dizia São Josemaría Escrivá. Nesta afirmação não há nenhuma insensibilidade, pois se amamos, levamos a cruz com Cristo. E como se ama? Fazendo a experiência radical de ser amado, deixar-se amar. Isto parece simples mas exige um caminho. E como se faz esta experiência? O “GPS da Vida Cristã” resumiu-o bem: na relação pessoal com Deus, na coerência e testemunho, na doutrina e na comunidade.  

É certo que a vida tem dificuldades, desafios e que nem sempre corre como queremos, mas também sabemos que Cristo morreu pelos nossos pecados e restaurou a Vida. Esta é a novidade clamorosa que Cristo veio trazer. Deixou-nos o Espírito Santo para que vencêssemos o Mundo, o Demónio e a Carne. A chave para tudo isto é deixarmo-nos tocar e não pensar que chegamos lá apenas com as nossas forças.

Uma Excelente Semana Santa para todos!

 

Nota: António Pimenta de Brito escreve conforme o novo acordo ortográfico.

António Pimenta de Brito é um dos promotores do datesCatolicos.org. É Especialista em Marketing e Comunicação e Colunista Convidado no Jornal Observador.

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