Ser solteiro e católico: como foi connosco? (2/7)

por António Pimenta de Brito

Em relação aos solteiros. Nós também passámos pela condição de solteiros. Não somos nenhuns deuses ou pessoas com poderes especiais. Procurámos, acertámos umas vezes, errámos outras e perguntámo-nos várias vezes no nosso caminho, algo que continua hoje, discernindo todos os dias. Como dizia Jack Welch, “antes de se tornar um líder, o sucesso tem tudo a ver com o seu crescimento. Quando se torna um líder, o sucesso tem tudo a ver com ajudar os outros a crescer”.

Passámos por angústias, fizemos disparates, apareceu o desespero, sofremos injustiças, tratámos de feridas, mas tivemos a graça de Deus nunca nos abandonar e de nos colocar pessoas essenciais no nosso caminho. E este continua! Eu tive educação católica em casa desde pequeno e a Marta também, ajudou bastante. A Marta, pelo que me contou, sempre teve uma piedade muito mais simples do que a minha, uma relação com Deus menos punitiva, mas por outro lado teve uma educação católica menos exaustiva e sistematizada que a minha. Não digo que tenha sido má pois dotou-me de bases sólidas para a minha fé, aprendi num colégio e família católica, mas também tive maus exemplos. São histórias que infelizmente todos os católicos têm e alguns abandonam a Igreja desde cedo sem não mais voltar. Uma irmã freira autoritária e fria, um padre que aproveitava o dinheiro da paróquia para construir a sua casa, uma forma de mostrar a fé que não é verdadeira, mas punitiva, um professor católico um pouco controlado de menos nos seus impulsos homossexuais ou heterossexuais. Infelizmente, tal como noutros lugares, existem também maus exemplos, pois a Igreja é feita de homens e mulheres de carne e osso e não é por isso que não continua a ser conduzida pelo Espírito Santo há 2000 anos.

Depois, também existiram bons exemplos, aquelas pessoas que mudaram a nossa forma de pensar e abordar um problema, para além da família, padres que nos ouviram, terapeutas experientes, amigos pacientes. E são essas que contam e mostram que este mundo, apesar de duro, também nos envia pessoas que foram e são fiéis e são sinal e instrumento de Deus. Há que também notar que todos atravessamos fases mais frágeis e o mundo é um lugar não só estranho, mas perigoso. A vida é o trajeto de transformá-lo de estranho a conhecido. E por isso é tão insensato pensarmos que chegamos aqui sozinhos. Chegamos porque outros nos ajudaram, ensinaram e conduziram.

Procure por isso essas pessoas. Respeite o seu coração e o que aprendeu. Deus serve-se dessas pessoas para começar a subir os degraus.

 

Ser solteiro e católico: como tudo começou? (1/7) 

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