Viagens de um Solteiro: Esquimós fofinhos

por Marta Pimenta de Brito

Desde pequena, tinha a ideia de ir ao Alasca. Para mim, ir ao Alasca era como ir à Lua, impossível.

Um dia decidi fazer uma viagem de três semanas pela Índia com as minhas duas melhores amigas. Estava tão animada. Comecei a falar com todos os meus amigos indianos, que tinha conhecido durante o meu doutoramento na Suíça, pedindo dicas.

Falei também com amigos que tinham feito essa viagem e planeei tudo: para onde ir, como atravessar o país, onde ficar com um orçamento baixo, etc. Mas havia um pequeno problema: as minhas duas amigas não gostaram da ideia de ir de mochila às costas, com uma abordagem de aventura.

Um mês antes da viagem, disse-lhes: “Digam-me que não querem ir”. E a resposta veio. Chorei, desesperada, culpei-me. Mas chegou o momento “Eureka”. Pensei, “vou fazer uma grande viagem sozinha. Para a Índia, não, talvez seja muito perigoso e difícil. Mas irei. Cruzarei o Canadá, onde eu tenho tantos amigos”.

Comecei a planear a minha nova viagem: para onde ir, como atravessar o país, onde ficar com um orçamento baixo. E um dia perguntei-me: “porque não adiciono o Alasca, está tão perto?”. Na verdade, queria ir de barco, mas não havia tempo suficiente. Tinha de começar logo depois a minha nova posição em Harvard.

Bem, melhor voar do que não ir, caso contrário o sonho acabou. Fiz uma mala pequena e comecei a minha viagem em Toronto. Atravessei as Niágara Falls, Montreal, Quebec City, Calgary, Red River, Banff, Lake Louise, Vancouver, Ilha Victoria. E um dia cheguei a Anchorage - a capital do Alasca.

A primeira coisa que digo a uma pessoa que conheci é: “Oh, estou tão feliz por estar aqui, para ver finalmente os esquimós que vi nos meus livros de infância, eram tão queridos”. “Ok, Marta, tudo bem, está feliz, mas evite usar a palavra esquimós. Esquimós significa comedores de carne e é um insulto para os nativos.”

Naquele momento, queria telefonar a todos os editores em Portugal. Porque é que tinham feito isso comigo e com todas as crianças do meu tempo?

A viagem prosseguiu. Fui num cruzeiro sozinha para ver os glaciares e pensei: ”Será que os meus filhos terão esta oportunidade?”.

 

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