Ser solteiro e católico: por onde andámos? (3/7)

por António Pimenta de Brito

Como dizia, apesar dos tropeções e questionamentos, também nunca deixámos de rezar e tentar ser pessoas melhores. É tão importante rezar, nem que seja uma ave maria por dia, Nossa Senhora e o Senhor ouvem sempre. E, na verdade, podemos fazer algo, mas, no fim, é sempre a misericórdia de Deus que vence. Para mim, sei que passei e tenho passado por muitas dificuldades, mas as graças e felicidade suplantam tudo. Sempre foi um mistério para mim esta questão: porque sou tão afortunado e não outro? Mas mais uma vez, acreditar não significa ver e compreender sempre tudo. Por isso, Deus é amigo e Pai, mas também é Criador e Rei. Com esta complexidade nem sempre é fácil de viver, mas por isso a Fé é um caminho de descoberta da alegria e paz de Deus, depois das espinhas. É preciso estar disposto a fazer o caminho.

Pela minha parte, aprendi as escrituras e a doutrina e mais tarde a relação pessoal com Deus. Esta dicotomia regras/ relação pessoal com Deus e como só percebi verdadeiramente a segunda mais tarde, também se relacionará não apenas por ter conhecido várias formas de ver e viver a Fé na Igreja, mas também teve que ver com a maturidade de vida. Como afirmei atrás, passei por vários carismas na Igreja, do Opus Dei, aos jesuítas e ao movimento “comunhão e libertação”, que pude tomar contacto com muitas sensibilidades diferentes que só dão riqueza! Todas elas me ensinaram muito e enriqueceram-me outro tanto em descobrir e conhecer melhor quem é aquele Jesus de Nazaré que a tantos fascinou desde então. E quem é esta Igreja que veio depois. Mas isso nunca veio desligado da vida concreta. Um trabalho que não gostava, uma namorada que me ensinou isto ou aquilo, uma ofensa grave de uma pessoa, um projeto que não correu como queria, uma viagem que me inspirou, amigos que me fizeram mais alegre. Por isso, o humano não vem desligado do divino. Devemos abraçar a vida como ela vem.

Por isso, em resumo, a questão não está em ser perfeito, mas em nunca desistir do que queremos.

Ser solteiro e católico: como foi connosco? (2/7) 

Ser solteiro e católico: como tudo começou? (1/7)

Ver todas as novidades