Viagens de um Solteiro: Tem piri-piri?

por Marta Pimenta de Brito

Era Julho, estava a planear a minha segunda grande viagem. Queria visitar a minha amiga Aiko em Tóquio, mas é tão longe. Ninguém queria ir: muito caro, muito longo, muito distante, muito cansativo! Bem, vou sozinha. Mas não é melhor ir com um grupo velejar para a Croácia?  

A minha amiga no Japão está feliz. Finalmente vou visitar o seu país e a sua família. Mas apenas o Japão? Não, adicionei a Coreia do Sul e a China, onde também tenho amigos. Cinco semanas de viagem.

Olho para o mapa do mundo: uau, tenho que atravessar toda a Europa, Ásia inteira, voar sobre lugares em guerra, mas vou viajar com a melhor companhia aérea - Emirates, nesses grandes aviões com dois andares, cabines privadas. Estou tão animada. Duas paragens, uma em Londres, outra no Dubai, dois dias sem dormir.

Bem, no dia sigo viagem. Sozinha de Portugal. Chego a Tóquio e a Aiko não está no aeroporto. Só vejo pessoas asiáticas, não sei uma palavra. Tenho o seu telemóvel, mas o meu português não funciona. Bem, primeiro, trocar dinheiro, em segundo lugar, encontrar um telefone. Mas não entendo como ligar para aquele número.

Após muitas tentativas, sinto que preciso de ajuda. Não entendo o que me está a ser dito ao telefone. Vou a um quiosque e explico a situação. Digo-lhes, pago o que for preciso, mas por favor, ligue para a minha amiga e diga que estou à espera dela aqui.

Depois de um tempo, a menina decide ajudar-me. Falo com a Aiko e ela diz que lamenta, mas que está a chegar. Eu não esperava que um japonês chegasse tarde, percebo agora que isso não acontece só na nossa cultura latina.

Sento-me. Estou bastante nervosa porque todos me parecem iguais. Como posso reconhecer a Aiko. Não a vejo há cinco anos, pode ter emagrecido. Bem, continua positiva!

Depois de um tempo, vejo-a. Incrível como a consigo reconhecer: a maneira como se veste, como caminha. Que sonho. Um grande abraço.

Visitei Tóquio, conheci os seus amigos, conheci a sua família, subi ao Mont Fuji em dia de furacões. Sobrevivi graças a Deus.

Depois de alguns dias, estou em Kyoto. Quero experimentar o Osaqualquercoisa de que tanto me falaram. Não sou boa em japonês. Vou de restaurante em restaurante. Peço essa coisa, mas dizem-me sempre que não têm.

Entro então no melhor restaurante da região e trazem-me o menu. A senhora diz, isto tem, o outro não tem. Começo a ficar baralhada. Se é a especialidade como pode ser? Continuo de restaurante em restaurante. A dado momento, desisto. Finalmente percebo que esta especialidade não é um prato, mas um picante. É o mesmo como andar por Lisboa a pedir piri-piri.

 

 

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