Ser solteiro e católico: o que aconselhamos? (5/7)

por António Pimenta de Brito

Contudo, dizem-me: “Muito bem. Tenho Deus, estou a procurar ser uma pessoa melhor. Mas ainda não encontrei a pessoa. E agora?”. Como dizia John Lennon, “a vida é o que acontece enquanto fazemos planos para o futuro”. Nem sempre o que planeamos, acontece. Devemos dar importância aos nossos sonhos e anseios, pois não somos uns robots, somos pessoas de carne e osso.

Deus não quer que nos armemos em algo que não somos e por isso, na oração, não devemos dizer “eu gostava tanto de casar e encontrar alguém, mas isso não devo merecer, pois o que é muito santo é ser padre ou muito piedoso e preciso é de me atinar”. Isso é a oração de um orgulhoso e alguém que, antes de não acreditar no poder de Deus, não acredita em si próprio. Na oração devemos ser completamente transparentes e não pretensiosos. Por um lado, pedir a Deus como uma criança, pois é isso que somos diante de Deus. Por outro, fazer o que está ao nosso alcance e confiar no que Ele tiver para nós. Pode-nos dar o que pedimos ou outra coisa, a qual será de certeza o melhor para nós!  

Como dizia Bento XVI, “a pessoa alcança o sentido mais profundo de si mesmo não pelo que faz, mas pelo que aceita, não pelo que realiza, mas pelo que recebe”. Isto não é uma desistência perante os nossos sonhos, mas o contrário. Se confiarmos e mantivermos esta relação com Deus e com a sua Igreja, se nos atrevermos a fazer este caminho, apesar dos outros, apesar de nós, conseguimos ir percebendo porquê, porque estamos aqui, quem somos e como funcionam as coisas. Pelo menos, um pouco.  

E depois, não desistir da vida. Este caminho não se faz só na capela a rezar, mas nas ocupações concretas da vida. Levantar de manhã, ajudar na família, no trabalho, no seu bairro, etc. “Qual o caminho? O caminho faz-se caminhando”, como dizia António Machado. O que interessa é a viagem, não o destino. Do que vale sermos muito católicos se, por exemplo, as nossas relações estão nas ruas da amargura? Se calhar quando pedimos algo, como um cônjuge ou um emprego, não nos é dado por Deus pois, assim, será um pretexto para nos esquecermos de Deus. Por isso, como no Eclesiastes, “há um tempo para tudo”.  

Não depende inteiramente de nós, mas d’Ele. E é essa a chave. Não vale a pena inquietarmo-nos muito na vida, pois Ele é quem manda, Ele dá o que é necessário: “Contemplai as aves no céu: não semeiam, não colhem, nem armazenam em celeiros; contudo, vosso Pai celestial as sustenta. Não tendes vós muito mais valor do que as aves?” (Mt. 6, 26).

Nunca mais me esqueci de um conselho que o meu Pai me deu quando eu era pequeno, a passagem de Mateus, quando Jesus diz: “Procurai o Reino e tudo vos será dado como acréscimo”. Ou seja, o mais importante é procurarmos Deus, pois tudo o resto te será dado, mesmo o material, o qual tantas vezes nos atormenta.

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